Arquivos

Reflexões Espirituais

 

REFLEXÕES ESPIRITUAIS – TOQUES DOS INICIADOS

          (Na Balada Extrafísica com os mentores Espirituais)

 

          – Por Wagner Borges –

 

No centro da noite, escuto um chamado sutil.

          Vêm do alto e entra pelo topo de minha cabeça.

          E vai direto ao meu peito…

          É silencioso, mas eu o escuto com o coração.

          É portentoso e, ao mesmo tempo, simples.

          Relaxo a mente e as emoções, e fico quietinho.

          Então, de espírito a espírito, capto os toques dos Iniciados:

 

          1. Violência é doença! A cura é a meditação serena.

          2. Quem semear, colherá!

          3. Com trevas no coração, como alcançar o Samadhi? (1)

          4. Objetivos levianos sempre atraem realizações tacanhas.

          5. Carregar a luz em si mesmo não é tarefa para fracos de espírito.

          6. Coração escuro atrai situações e entidades trevosas.

          7. Espiritualidade é ação. Não é discurso. É estado de consciência.

          8. Reunião espiritual não é ponto de encontro social!

          9. A quem muito é dado, muito será cobrado. Conhecimento demanda responsabilidade.

          11. Quem quer voar espiritualmente, que largue as correntes do medo.

          12. Quem quer ir para o Alto, que se deite no leito pensando no Alto!

          13. Semelhante atrai semelhante. Quem procura, acha!

          14. Quem esquece a lanterna, perde-se na escuridão da noite.

          15. Quem esquece o discernimento, tromba feio com as trevas.

          16. Muitos se deitam em leitos com lençóis brancos e macios, porém, com a aura (2) suja e com presenças invisíveis muito escuras agarradas neles.

          17. Se a prece é de coração, tudo que é trevoso se afasta.

          18. Aparência externa engana muito. Mas as energias revelam o que cada um é. Na luz, o real sempre aparece.

          19. Anda na beira do abismo quem se deixa levar pela raiva.

          20. O Invisível é a origem de todo visível. Quem ama, sabe!

          21. Liberdade não é fazer tudo que se quer. É saber viver em equilíbrio e bem consigo mesmo.

          22. Quem é da luz, respeita as trevas. Mas não se mete com elas.

          23. Grandes enganadores sempre pagam um preço alto: também acabam enganando a si mesmos, até mesmo pela força do hábito.

          24. Bons estudantes espirituais não fazem por menos: jamais se deitam sem erguer os pensamentos ao Alto. E, quando acordam, fazem o mesmo.

          25. O homem não é poderoso para deter a corrente do tempo e o desgaste natural do seu veículo físico. Então, de onde vem sua arrogância?

          26. Quem pondera, descobre o essencial: é só o Supremo que sabe o tempo certo de cada um. O Poder real é o d’Ele.

          27. As grandes provas estão nas coisas simples da vida. E os grandes mestres são simples, como a vida…

          28. Bons estudantes espirituais não fazem por menos: não reclamam das provas do caminho. E tiram lições delas, para seguir em frente com mais sabedoria…

          29. Se alguém tiver ódio de alguém, não é da luz, pois seu coração escuro o liga a outras coisas trevosas.

          30. Quem bate, é fraco de caráter. Forte é quem ama e compreende.

         

          No centro da noite, eu medito e aprendo.

Sondo o meu coração e pondero.

          E sinto várias presenças invisíveis, serenas e amigas, me saudando.

          E, por incrível que pareça, elas me agradecem por eu ter escrito.

          E eu também agradeço a elas, por me passarem reflexões tão legais.

          Então, elas e eu agradecemos juntos ao Supremo, por tudo.

          E a noite se ilumina, na graça do Todo que está em tudo.

         

          P.S.: Às vezes, quem está no meio da multidão agitada, está mais só do que imagina. E quem aparentemente está só, mas na Luz, está mais acompanhado do que pensa, pois sente-se ligado a miríades de seres luminosos pelo espaço infinito…

          Na noite das baladas, onde homens e mulheres e espíritos infelizes se engalfinham energeticamente, sedentos de sensações alienantes na atmosfera escura da grande metrópole de aço e concreto, onde o Grande Arquiteto Do Universo também me colocou para viver, aprender e trabalhar, eu escutei um chamado sutil para uma outra balada, em espírito.

          E minhas companhias de balada consciencial são o sábio Sanat Khum Maat e o grupo extrafísico dos Iniciados (3). É com eles que vou viajar espiritualmente (4) daqui a pouco, logo que deitar a carcaça no leito.

          E, graças a Deus, não estão limpos apenas os lençóis da cama, mas a aura também (5). E eu vou me deitar pensando no Alto, como deve ser…

 

          (Esses escritos são dedicados aos meus amigos Victor Hugo França, Maísa Intelisano, Fernanda Lopes, Marisa, do espaço Origens, Luis Fernando Mingrone, o Enki, Ana Lahis Tano, e Patrícia, que são trabalhadores da luz e companheiros firmes de fé e de jornada – e a Vivian, linda moça, com coração e mãos de luz, a quem agradeço pela luz rosada e pelo carinho enviados a mim.)

          De coração a coração, em espírito e verdade, que a balada dos mentores espirituais possa iluminar suas consciências e também fortalecê-los na jornada, humana e espiritual.

 

          Paz e Luz. São Paulo, 09 de agosto de 2008.

 

O Novo Milenio

Um ponto importante para consideração em futuros planejamentos, é que a Terra é um organismo vivo, exatamente como vocês e eu, e possui sua própria consciência. No futuro, ela desempenhará um papel crucial em nossa sobrevivência. Sem dúvida, ela está apreensiva sobre a capacidade potencial da humanidade para destruir sua soberania. Sua precedência na sobrevivência é grande, ou maior do que a nossa. Muitas vezes, nos últimos trinta e quatro anos, tenho advertido meus ouvintes de que o planeta ascenderá para a Quarta Dimensão, conosco ou sem nós. A escolha é nossa. Sem dúvida, sua soberania e segurança contra a insanidade do homem é um dado, pois sua destruição, com os subseqüentes resultados desastrosos para o resto da galáxia, poderia ser catastrófica.
A afirmação seguinte é, sem dúvida, a mais importante de todas. No Começo, no Agora, e no Fim, era e agora é, o Amor Incondicional. Ele é a suprema e não adulterada consciência e a essência do Criador. Aqueles que podem aceitar esta grande verdade sobreviverão pela eternidade, assim como Jesus.
No início, todos os pensamentos são amorfos, implorando a realização de que vocês são o arquiteto. Sejam cuidadosos e precisos em sua implementação. Não deixem pontas soltas; a instabilidade e o caos podem ser o resultado. Sejam generosos, criativos e corajosos em seus pensamentos. Mantenham o Amor, a Luz e o Equilíbrio como sua essência.

Até certo ponto, nós definimos algo do que pode ser esperado no futuro relativamente próximo, bem como as práticas que se realizam no Agora. Todavia, essas mudanças inovadoras todas contêm surpresas reformadoras do que está para vir. Estejam preparados.

Essas surpresas aplicam-se também igualmente àqueles que procuram nos cativar e controlar. É verdade que eles pareceriam ter um conhecimento e uma consciência de arcano maiores do que nós, as pessoas comuns e, é claro que eles tem um registro superior. Não obstante, eles também são vulneráveis e se tornarão cada vez mais, enquanto recuperamos nossa soberania e poder legítimos.

Em seu Handbook for the New Paradigm, George Green faz uma afirmação muito profunda. Parafraseando-o, diria que estamos tentando mudar o que está presente, em vez de desejar criar uma experiência inteiramente nova. Isso resume onde estamos atualmente e onde estivemos. Por nenhum esforço de imaginação fomos criativos, generosos ou suficientemente inovadores na conduta diária de nossa vida pessoal aqui na Terra. Fomos preguiçosos, relacionando as mudanças necessárias com a menor quantidade de esforço ou intento, escolhendo reformar ou modificar seu atual estado, em vez de buscar algo inteiramente novo. Ao seguir esses caminho complacente, nós posteriormente tornamo-nos vítimas, para grande alegria de nossos controladores.

Essa complacência, essa temeridade e falta de disposição para mudar as coisas que podemos mudar para a melhora do todo, é uma armadilha. No Agora e no Futuro, não podemos permitir que essas medíocres práticas e atitudes prevaleçam, pois quase certamente falharemos em nossa missão de vida e para a vida. Existe uma prece freqüentemente citada no mundo inteiro, que é, em alto grau, aplicável aqui:

"Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar; coragem, para modificar aquelas que posso, e sabedoria para distinguir umas das outras."

Aquela Grande Verdade

 

AQUELA GRANDE VERDADE

Ieoya e a Consciência de Grupo, através de Pauline Larson
 
Vocês nos fizeram uma pergunta que é uma das mais importantes para muitas pessoas que vivem em suas sociedades industrializadas. Não é uma pergunta que os aborígines, as primeiras pessoas que viveram próximo da terra jamais fizeram, pois eles viram a verdade na natureza em torno deles. Mas em suas sociedades "avançadas" vocês buscam saber qual é a verdade suprema. Ao mesmo tempo, vão por aí buscando essa verdade com muitos preconceitos. Estabelecem parâmetros em torno da verdade, e qualquer coisa que ouse ficar fora daquilo que identificaram como verdade, está fora dos limites que exploram. Vocês colocam barreiras em seu próprio aprendizado e atribuem essas barreiras aos mandamentos de um deus.
Vamos falar sobre o conceito humano de verdade. O que é verdade para um indivíduo é tudo aquilo que ele acredita ser verdade. Sua crença faz com que aquilo seja verdade para ele. Ora, compreendemos que vocês estão nos pedindo para divulgar aquela verdade "suprema" que está no coração de toda experiência humana. Ao fazer isso, vocês estão nos pedindo algo que não podemos fornecer, pelo menos não no contexto que os humanos esperam. Pois se lhes disséssemos que existe uma grande Verdade, vocês se sentiriam no dever de ir para o mundo e partilhá-la com todos. Vocês se tornariam zelotes (fanáticos), pregando e defendendo a Verdade acima de tudo o mais. E então os humanos construiriam uma série de regras em torno dessa grande Verdade, às quais todos deveriam obedecer ou sofrer as conseqüências. Vocês não vêem que esta é a base de todas as guerras humanas? Por outro lado, se nós lhes disséssemos que não existe nenhuma grande Verdade, vocês suspeitariam que estivéssemos negando informações, ou então que não conhecêssemos essa grande Verdade. É melhor que descubram por si mesmo o que verdadeiro para vocês – não para os outros, mas para vocês.
A SIMPLES VERDADE: TUDO É COMO É
Todavia, vamos passar-lhes uma chave: A verdade de tudo o que é está na simplicidade. A grande verdade é que cada um de vocês e todos vocês guardam dentro de seu ser a verdade de quem são e o que são. Portanto, vamos dizer-lhes que a verdade suprema é que tudo é como é e é assim que tudo é. Ora, como é que vocês seriam capazes de aceitar isso, e ainda mais ensiná-lo a alguém? Nós apenas lhes dissemos que todos e tudo podem ser exatamente como é. Para seus conceitos humanos do mundo, isso não cheira a heresia? Não importa; estamos sugerindo que permitir que tudo seja como é, é a tal grande verdade. E ela não pode ser propriedade exclusiva de nenhuma pessoa e de nenhuma organização em especial.
Ora, se isso for verdade, então nós acabamos de retirar de vocês o próprio núcleo sobre o qual muitos seres humanos baseiam suas vidas cotidianas. Eles acreditam que deve haver uma grande Verdade, ainda que ela sempre os engane. Seu medo coletivo é o de que se vocês falharem em descobrir essa tal Verdade, então vocês e seu espírito eterno estarão em grande perigo, por assim dizer, com sua vida, com seu Deus e com a vida futura. Pois vocês acreditaram que seriam recompensados ou punidos de acordo com sua capacidade de descobrir, interpretar corretamente e seguir a tal grande Verdade ao pé da letra.
 
O JOGO DA ILUSÃO
A vida é um jogo jogado na ilusão. Quando o jogo da ilusão foi concebido, muitos de vocês participaram de sua criação, e colocaram parâmetros em torno da experiência. Vocês fizeram isso para que realmente acreditassem que o jogo da experiência da vida fosse real. E disseram uns para os outros: "Vamos entrar na densidade de uma experiência física, e vamos garantir que ela pareça real. Você vai ser o vilão, eu vou ser a dama em dificuldade, ele será o herói, e nós representaremos e faremos com que seja intrigante, para que possamos acreditar que tem um significado."
Existem muitos de vocês representando vários papéis humanos, que estão se cansando do jogo da vida assim como o imaginam, ou tendo ele se tornado corrompido (mais tarde falaremos mais sobre isso), e decidiram olhar para além da ilusão e descobrir o significado que está por detrás do que está acontecendo em sua vida do dia-a-dia. Agora vocês são capazes de olhar através da ilusão; pelo menos não é difícil. No entanto, muitos de vocês acreditam que é difícil, então para estes, é.
Quando concordaram em participar do jogo da vida, vocês ficaram atolados nos mitos ensinados pela sua cultura, como se fossem verdades vindas de tempos imemoriais. As pessoas que vivem em outras terras e culturas foram da mesma maneira doutrinadas em sua forma de verdade, que também afirma: "Nós somos os abençoados e eles são os maus." Sua cultura os ensina isso e vocês aprendem que isso é a verdade, geralmente a verdade de Deus. Ora, podem as verdades, ou os lados conflitantes, serem ambos verdadeiros? Sim, de diferentes perspectivas pode-se dizer que ambas as crenças são verdadeiras. Mas, serão elas a verdade? Ou Deus é confuso, ou existe confusão no conceito que os humanos têm de Deus.
Faz algum sentido que um ser supremo possa ser confuso, ou tenha favoritos? Bem, nós lhes perguntamos, seu mundo humano atual é o tipo de mundo que vocês desejam habitar? Se não – e vocês são puros em seu desejo de mudar o mundo – então talvez nós sugeríssemos que vocês examinassem seus próprios mitos, sem desvios. Tudo o que vocês percebem como verdade, assim como a maneira de jogar o jogo, está escrito em torno dos mitos que formam suas crenças e criam seu mundo – principalmente seu conceito de Deus.
Está na hora dos humanos prestarem atenção a tudo o que ocorreu na jornada de sua vida até este momento. Então vocês precisam permitir que desapareçam todas as antigas crenças sobre limitação que não mais servem à evolução da consciência de sua espécie, e comecem de novo, a partir de uma lousa apagada. Se vocês continuarem a manter as antigas crenças passadas a vocês por aqueles que desejavam manter o controle, então realmente não existe nada de uma natureza diferente que possa chegar à sua consciência. Todavia, existe muito conhecimento que espera por uma mente sem preconceitos.
Se continuarem a se agarrar a crenças engendradas pelo medo, vocês continuarão experimentando um potencial limitado, assim como tantos humanos antes de vocês. Isso não está errado; não existem maneiras erradas de jogar o jogo. No entanto, é uma terrível perda de potencial humano, pois no início o espírito humano desejou encarnar-se para que pudesse expandir-se, crescer e explorar as mais longínquas possibilidades da mente e da imaginação de Deus, o Tudo Que É. Somente quando concordarem que existe mais do que vocês perceberam até aqui, vocês se abrirão para receber os milagres.
Os milagres não são mais do que uma mudança de idéia, uma disposição de olhar para a vida e tudo o que ela contém, sob uma nova luz. A luz do amor e da cooperação é o campo vibracional que lhes acena. Não existe nada que vocês queiram explorar na mente de Deus (falamos em termos genéricos, compostos de luz e escuridão, macho e fêmea, — as polaridades de todos os conceitos e de tudo o que fica entre eles) que não tenha limites para ser explorado. Todavia, quando procuram limitar seu conceito de Deus, vocês param de experimentar um potencial que é seu. A vida diz respeito à evolução da consciência.
 

DISTORÇÃO DA HISTÓRIA

Algumas vezes na história registrada, muitos conceitos novos entraram em jogo. A história de sua Terra, no que diz respeito aos humanos que ocuparam a Terra, foi pervertida. Ela foi sempre escrita por pessoas parciais, com idéias preconcebidas, de acordo com o que desejavam passar para as massas, e muitas mudanças e re-escrituras sempre aconteceram. Nunca houve um tempo em que ninguém, pelo menos no plano físico, pudesse escrever uma história imparcial sobre nada. Portanto cabe aos humanos continuar com seu sistema de pensamento e explorar os significados ocultos da palavra escrita.
A fim de obterem um quadro mais exato ou confiável do que aconteceu durante um acontecimento particular no tempo, vocês precisariam buscar relatos pessoais de testemunhas. Repetimos que é preciso que sejam testemunhas – pessoas que estavam lá na ocasião e deram seu relato sobre o que aconteceu. Pelos registros dos tribunais vocês sabem como podem ser confusos os relatos das testemunhas, mas nós lhes dizemos que cada testemunha sente os acontecimentos a partir de suas percepções. Ora, se as testemunhas ou os participantes de um acontecimento podem fazer relatos tão diferentes sobre o que aconteceu, pode alguém que não viveu aquele acontecimento – e de fato até escreveu aquilo muito tempo depois – registrá-lo com exatidão?
Vocês podem compreender até certo ponto o limitado alcance da palavra escrita; mesmo assim, os homens usaram a palavra escrita para controlar e reprimir o pensamento individual, chamando de transgressão o fato de alguém não acreditar no que está escrito no papel ou em um livro. Então vocês homens pegam esses relatos variados, sejam eles reais ou ficção, e lhes emprestam significados, dizendo que eles vêm de Deus. Isso é não mais nem menos um modo de controle.
Como os homens se tornaram tolos! Vocês se batem por aí e ficam imaginando por que Deus criaria um mundo tão injusto. Nós lhes dizemos que um deus de substância não teria necessidade de criar um mundo de medo e depois exigir obediência, prometer recompensa ou ameaçar com punições. Essa é a sua pequena criação de um deus criado a partir dos medos humanos e definido em termos humanos.
A mais pura lei a que vocês podem aderir é a da exploração do indivíduo, e a da conexão com o Deus que é o de vocês conforme foi pedido – Aquele que tudo compartilha e que não exige nada de ninguém, seja este o mais elevado e influente de suas várias sociedades, ou o menor de vocês. Na compreensão de Deus, o Tudo Que É, nenhum de vocês é mais especial do que ninguém. Cada um foi criado perfeito, de acordo com o que desejava experienciar; cada um de vocês foi criado com todo o potencial do Tudo Que É.
 

ENERGIAS QUE TIRAM VANTAGEM DE SEU ESQUECIMENTO

Quando ajudaram a planejar o jogo da vida, vocês acreditaram tanto nele, que muitos esqueceram-se de que eram divinos. Existem também energias que, digamos, tiram vantagem desse esquecimento e entram em seu jogo. Elas descobriram que podem tirar benefícios da energia criada por suas emoções humanas negativas e se alimentam dela. O jogo que vocês criaram como uma feliz diversão tornou-se sua prisão. Ele os escravizou.
Existem pessoas em sua Terra que ajudam essas energias negativas. Elas sabem o que está ocorrendo, porém desejam mantê-los na escuridão. Querem ser os senhores do mundo ilusório e foi-lhes prometido muito por aqueles que se alimentam de sua energia negativa. Para elas é benéfico manter a ilusão indo na direção do tumulto – guerras, medo, "necessidade de consertar as coisas", "preciso conseguir o meu às custas do seu" – e os ídolos dominadores que vocês cultuam.
Se estivessem em seu juízo perfeito, se não estivessem poluídos lá bem no fundo de quem são e o que são, sem dúvida vocês conseguiriam ver através da ilusão e perceber que criaram um mundo de falsos conceitos. Vocês não são aqueles que estão bem embaixo, que precisam rebaixar-se e rastejar, procurando apenas as migalhas que algum outro ser mais elevado, talentoso e evoluído, atire para vocês. Em vez disso, vocês podem escolher lembrar-se de que são uma parte do Tudo Que É e de que são muito poderosos.
Para que compreendam o que são as energias negativas, vamos compará-las a um vírus. Um vírus é um sistema de energia que vocês não podem ver nem sentir com seus sentidos físicos humanos, mas que no entanto é real. Agora vocês estão prestes a experimentar o que uma energia negativa pode fazer a uma espécie: o holocausto da aniquilação nuclear e a destruição em todo o mundo, pela poluição criada pelo homem. Sim, a possibilidade de que o vírus os destrua é real, e ao fazer isso, ele se destrói a si mesmo. No entanto, tudo o que é preciso para salvar seu mundo é uma mudança em quem e o que vocês cultuam, para quem e para que vocês dão sua preciosa energia espiritual. É simplesmente escolha sua.
 

RELAXEM E DEIXEM QUE SEUS LAÇOS SE SOLTEM

Vocês seres humanos estão presos, de olhos vendados, e amordaçados, incapazes de escapar por mais que se esforcem. Mas vocês já assistiram aqueles números de artistas que se soltam, mesmo estando bem amarrados? Eles não fazem mágica nenhuma; simplesmente compreendem e utilizam o conceito de tensão e relaxamento. Quando vocês lutam contra alguma coisa, ela se torna mais forte, e quanto mais se esforçam e se defendem, mais firmes os laços ficam. Quando vocês relaxam e se soltam, os laços caem como se não existissem.
É assim que podem mudar sua vida. Simplesmente relaxem e aceitem que vocês foram presos, vendados e amordaçados no passado, mas agora podem libertar-se simplesmente parando de imaginar que estão presos. As cordas, a venda e a mordaça, são todas feitas por vocês; são meras crenças. Façam com que elas se dissolvam. Relaxem seja lá no que for e compreendam que era tudo ilusão. Então as entidades que os estão mantendo espiritualmente aprisionados, simplesmente irão embora. Elas não podem ficar em um hóspede que aceita vibrações mais elevadas em seu campo de energia.
Perguntem a si mesmos: "Se tudo o que aprendi podem ser inverdades, ou verdades parciais, então o que pode ser verdade?" Cada um de vocês é a soma total de tudo o que pode ser – pura potencialidade. Vocês vêm para a limitação da existência física para desempenhar vários papéis. Aceitam a ilusão de uma vida terrestre esquecendo-se rapidamente dos seres eternos que são. Dizemos a vocês: a verdade do Tudo Que É, é: Enquanto estiverem na dimensão física, dentro das limitações do jogo da vida, vocês experimentarão muitas coisas que pensam ser verdade. Isso é como foi planejado. Vocês estão simplesmente provando partes da ilusão e chamando-as de verdade. Escolham qualquer conceito que quiserem explorar e o experimentarão no contexto da verdade, pelo menos no que diz respeito a seu jogo da vida.
Todavia, a verdade do Tudo Que É, é que tudo voltará, movimentando-se através do véu de esquecimento do mundo humano e emergindo no outro lado como seres de energia espiritual, integrais e oniscientes. Simplesmente cessarão de jogar o jogo.
Sua espécie está à beira de uma grande evolução de consciência, e esta chegará como uma bomba furtiva – indetectável pelo sonar da mente comum à qual muitos de vocês estão presos. Virá em paz, entre o caos de suas criações, mas explodirá sobre o terreno de seu mundo e ninguém deixará de ser afetado.

TUDO É COMO É. E TUDO É COMO NÃO É: ESPAÇO INFINITO PARA ESCOLHA

Admiramos sua coragem de penetrar na luz de uma nova verdade, uma verdade que se expandirá e crescerá em todas as direções. Vocês se elevarão com o conhecimento de que são capazes de muito mais do que pensavam ser possível até aqui. Virá como cooperação, não conflito, e ninguém será negado. Vocês conhecerão a verdade do Tudo é como é, e tudo é como não é, — e nisso está o paradoxo do Tudo Que É.
Recobertos pela estrutura de parábolas e histórias aparentemente sem sentido, os sábios de antigamente passaram o conceito de que vocês são tudo ou não são nada, e vocês serão aquilo que acreditarem ser. Todavia, enquanto permanecerem no mundo físico, nunca compreenderão o alcance total da possibilidade. Vocês procuram se limitar a fim de jogar o jogo, pois como no mundo poderiam ter seus partidarismos e suas guerras, se simplesmente dissessem: "Tudo é como é"? Não existe conflito nisso, e os homens da atualidade parecem querer conflitos. Perguntamos de novo: Vocês querem mudar o jogo de seu mundo?
Houve um tempo, antes da perversão da história, em que havia homens que cooperavam uns com os outros. Foi um tempo em que os homens sabiam da cooperação entre a Deusa e o Deus; eles sabiam do jardim e das coisas maravilhosas que havia ali – todo o tipo de prêmios. Mas então as falsas energias de controle entraram no conhecimento e vocês se alijaram do jardim. Vocês se alijaram do conhecimento de que eram sempre livres para aproveitar a vida e aceitaram uma mentira, o véu de lágrimas. Sim, o véu de lágrimas é nada mais nada menos do que vocês se esquecerem de quem verdadeiramente são. Vocês permitiram que o pensamento de outros pervertesse seu próprio pensamento. Entregaram-se nas mãos dos ídolos das energias negativas. E então vocês honraram, veneraram e prestaram homenagem a eles. Eles conseguiram o que queriam – energia criada a partir de seus medos e conflitos humanos Eles estão aqui para ficar, até que vocês abram seus olhos e lembrem-se de que são Aqueles que eram antes do começo e Aqueles que permanecerão para sempre.
Vocês, seu eterno ser espiritual, não podem perecer. Todavia, quando pensarem por si mesmos de novo, vocês viverão mais daquilo que desejaram viver quando começaram o jogo, a diversão da felicidade. Ao fazer isso vocês se lembrarão de que cada um é o mestre de seu próprio universo. Vocês então verão através da ilusão, deixarão de lutar e relaxarão nos braços do Tudo Que É. Saberão que não existe nada que possa ter poder sobre vocês, a não ser se permitirem (e só quando permitirem).
Está na hora de mudar o conceito do jogo que estão fingindo e de unir-se mais uma vez à Deusa e ao Deus. E assim é.

Osho



I

O coração pode falar com uma pedra... o amor total revela
esse mistério. Torne-se um louco do coração. 

São Francisco de Assis certamente estaria em um hospício.
Conversando com as árvores, dizendo à amendoeira: "Irmã,
como vai você?". Se ele estivesse aqui, teria sido preso.
"Irmã, cante sobre Deus para mim!", dizia para a
amendoeira. E não apenas isso - ele ouvia a canção que a
amendoeira cantava! Maluco! Necessita de tratamento! 

Ele conversa com o rio e com os peixes - e diz que os
peixes respondem a ele. Conversa com as pedras e rochedos -
é preciso mais alguma prova de que ele é louco? 

Ele é louco. Mas você não gostaria de ser louco como São
Francisco de Assis? Imagine só - a capacidade de escutar a
amendoeira a cantar e o coração que pode sentir as árvores
como irmãos e irmãs, o coração que pode conversar com a
pedra, o coração que vê Deus em todo lugar, por todos os
lados, em todas as formas...

Este deve ser um coração de extremo amor. O amor total
revela esse mistério a você. Mas para a mente lógica,
certamente essas coisas são bobagens. 

Para mim, essas são as únicas coisas significativas.
Torne-se louco, se puder; torne-se um louco do coração. 

II

Se você meditar, fatalmente ficará mais inocente. Um pouco
de meditação, e você começará a se sentir mais
rejuvenescido. E com isso vem um tipo de irresponsabilidade
- irresponsabilidade no sentido de que você não considera
mais as obsessões dos outros. 

Tornar-se inocente é uma grande responsabilidade. Você
começa a ficar responsável por si mesmo e começa a
abandonar suas máscaras, suas faces falsas. Os outros podem
começar a se sentir perturbados, porque eles sempre tiveram
expectativas e você satisfazia suas exigências. Agora eles
sentem que você está ficando irresponsável. Quando eles
dizem que você está sendo irresponsável, estão simplesmente
dizendo que você está saindo do controle deles. Você está
ficando mais livre. Para condenar o seu comportamento, eles
o chamam de infantil ou de irresponsável. 

Na verdade, sua liberdade está crescendo e você está se
tronando responsável - mas responsabilidade significa a
habilidade de responder. Ela não é uma obrigação que
precisa ser satisfeita no sentido comum. Ela é
responsividade, sensibilidade. 

Porém, quanto mais sensível você ficar, mais descobrirá que
muitas pessoas acham que você está ficando irresponsável -
e você precisa aceitar isso - , porque os interesses delas,
os investimentos delas não serão satisfeitos. Muitas vezes
você não satisfará as suas expectativas... 

III 

O mundo tem conhecido pessoas tão bonitas e tão loucas! 

Na verdade, todas as grandes pessoas do mundo foram um
pouco loucas - loucas aos olhos da multidão. Suas loucuras
tiveram expressão porque elas não eram miseráveis, elas não
estavam ansiosas, elas não tinham medo da morte, elas não
estavam preocupadas com o trivial. Elas estavam vivendo
cada momento com totalidade e intensidade e, por causa
dessa totalidade, dessa intensidade, suas vidas se tornaram
uma linda flor - elas estavam cheias de fragrância, de
amor, de vida e de riso. 

A coragem é o primeiro passo a ser aprendido. E por que é
preciso coragem para viver? Porque a vida é insegurança. Se
você fica preocupado demais com proteção, com segurança,
você permanecerá confinado a um pequeno cantinho, quase que
em uma prisão, construída por você mesmo. Será seguro, mas
não será vivo, não terá aventura, não terá êxtase. A vida
consiste em explorar, entrar no desconhecido, alcançar as
estrelas!

IV

As pessoas têm seus próprios valores e olham tudo através
deles. 

Um iluminado está numa dimensão totalmente diferente: vive
sem valores, sem critérios, sem moralidade; vive
simplesmente, sem o ego. E todos os valores pertencem ao
ego. Um iluminado simplesmente vive. Não manipula sua vida;
é como uma nuvem branca flutuando. Não tem para onde ir,
nada para alcançar. Para ele, nada é bom ou mau. Não
conhece nenhum deus, nenhum demônio. Conhece apenas a
beleza que é a vida em sua totalidade. Até mesmo um deus é
feio porque é apenas uma parte, não um todo. Um demônio
também é feio porque também é uma parte, e não o todo. Deus
não está vivo; o demônio também está morto porque a vida
existe como um ritmo entre os dois - o bom e o mau, deus e
o demônio. A vida existe entre esses dois pólos. Não pode
existir apenas uma polaridade. Eles são as duas margens no
meio das quais o rio da vida flui. Um iluminado sabe disso.
Nunca está a favor nem contra algo. Responde a cada momento
sem qualquer julgamento. 

Eis porque é difícil compreendê-lo.

V

A dança e o riso são as melhores portas, as mais naturais,
as mais facilmente acessíveis para entrarmos na não-mente. 

Se você realmente dançar, o pensamento pára. Você dança sem
parar, girando, girando... e você se torna um redemoinho -
todas as fronteiras, todas as divisões desaparecem. Você
nem mesmo sabe onde seu corpo termina e onde a existência
começa. Você se dissolve na existência e a existência se
dissolve em você. E se você estiver realmente dançando -
não controlando a dança, mas deixando que ela o conduza -
se você estiver possuído pela dança, o pensamento pára. 

O riso pode ser uma bela introdução a um estado de
não-pensamento. Quando você ri realmente, durante aqueles
poucos momentos você está num estado profundamente
meditativo. O pensamento pára. É impossível rir e pensar ao
mesmo tempo. São coisas totalmente opostas: ou você ri ou
você pensa. Se você ainda estiver pensando o riso não será
total. 

Um homem sobrecarregado de teorias se torna sério. Um homem
que não está sobrecarregado, que não tem uma carga de
teorias sobre seu ser, começa a rir. Toda a brincadeira da
existência é tão bonita que a risada é a única resposta
possível a ela. 

A gargalhada traz sua energia de volta. Todas as fibras do
seu ser se tornam vivas, e todas as células do seu ser
começam a dançar. 

A brincadeira o torna leve, o amor lhe dá luz, a risada lhe
dá asas. Dançando com alegria você pode tocar as estrelas
mais distantes.

Para mim, o riso é tão sagrado quanto a oração.

VI

Ouça esse dizer de Jorge Luís Borges:

"Dê o que é sagrado aos cães.
Lance suas pérolas aos porcos.
Pois o que importa é dar."

Você sempre ouviu dizer o contrário: nada jogue aos cães,
não lance pérolas aos porcos, porque eles não entenderão. 

O essencial não é o que você está dando - pérolas,
santidade, amor - ou a quem você está dando; esse não é o
ponto. O ponto é que você está dando. Quando você tiver,
dê. 

Gurdjieff costumava dizer: "Tudo o que acumulei se perdeu,
e tudo o que eu dei é meu. Tudo o que eu dei ainda está
comigo, e tudo o que eu guardei se perdeu."

É verdade: você tem somente aquilo que compartilhou. O amor
não é uma propriedade para ser acumulada; é uma fragrância
a ser compartilhada. Quanto mais você compartilha, mais
você tem; quanto menos compartilha, menos tem. Quanto mais
você compartilha, mais vai brotar do âmago do seu ser - é
infinito; mais estará jorrando. Tire água do poço, e mais
água fresca corre para dentro do poço. Não tire água, feche
o poço, torne-se miserável, e as nascentes deixarão de
funcionar. Pouco a pouco as nascentes irão morrendo,
ficando bloqueadas; e a água que está no poço morrerá,
ficará estagnada, suja. A água que flui é fresca... o amor
que flui é fresco. 

Para caminhar em direção ao amor é preciso compartilhar,
compartilhar sua vida, compartilhar tudo o que você tem.
Tudo que houver de belo em você, jamais o acumule. Sua
sabedoria, compartilhe-a; seu amor, sua felicidade, seu
prazer, compartilhe-os. Sim, se você não puder encontrar
alguém, compartilhe com os cães - mas compartilhe.
Compartilhe com as rochas - mas compartilhe. Quando tiver
pérolas, jogue-as - não se importe se aos porcos ou aos
santos, simplesmente jogue-as. Porque o importante é dar.
Acumular envenena o coração. Todo acumular é venenoso. 

E quando der, não se importe se será retribuído ou não.
Sinta-se grato à pessoa que lhe permitiu compartilhar algo
com ela. Sinta a gratidão por ela estar pronta a ouví-lo, a
compartilhar alguma energia com você; por ela estar pronta
a ouvir sua canção, a ver sua dança; grato porque, quando
você veio para dar, ela não rejeitou... O compartilhar é
uma das virtudes mais espirituais, uma das maiores virtudes
espirituais.

VII

Todos os debates são fúteis e estúpidos. 

O próprio debater é uma idiotice, porque ninguém pode
atingir a Verdade pela discussão ou pelo debate. Todas as
discussões são tolas porque provocam um clima no qual
qualquer entendimento entre duas pessoas se torna
impossível; no qual qualquer coisa dita é sempre mal
interpretada. 

Uma mente que está propensa a vencer, a conquistar, não
consegue compreender nada. Isto é impossível porque a
compreensão necessita de uma mente não violenta. E quando
você está lutando pela vitória, você é violento. 

Apenas a verdade pode ser a meta; a vitória não. 

Quando a vitória é a meta, você se torna um político, não
um homem religioso. Você fica agressivo, fica tentando
vender o outro. A verdade não pode ser uma vitória quando
essa vitória significa derrotar alguém. A verdade traz
humildade, modéstia. Como você pode entender o outro se
está contra ele? O entendimento é impossível. O
entendimento necessita de simpatia, de participação.
Entender significa ouvir o outro totalmente. Ao discutir,
debater, argumentar, racionalizar, você não ouve o outro.
Apenas finge ouvir e, interiormente fica se preparando para
a tacada seguinte.

VIII

Tudo que você gosta pode penetrá-lo profundamente; só
gostando algo pode penetrá-lo a fundo. O gostar mostra
simplesmente que algo lhe serve, que o ritmo disso está em
sintonia com você. 

E ao gostar de algo não se torne avarento, entre nisso o
quanto puder. Só abandone isso quando o prazer tiver
desaparecido, então sua função estará terminada. Procure
outra coisa. Nada poderá levá-lo ao fim do caminho. Nessa
viagem você terá que trocar de trem muitas vezes. Algo o
leva até certo estado, além daí não serve mais, já está
gasto. 

Portanto, duas coisas devem ser lembradas: quando você
gostar de algo, entre nele o mais profundamente possível,
mas nunca fique muito apegado, pois um dia terá que
abandoná-lo. Se você se apegar demais, será como uma droga:
você não poderá deixá-lo, não estará mais gostando, não
estará lhe dando mais nada – mas terá se tornado um hábito.
Então você poderá continuar, mas estará se movendo em
círculos, não irá além. 

Por isso, deixe que o prazer seja o critério. Se houver
prazer continue, até a última gota de prazer continue. Isso
deve ser totalmente espremido, nenhum suco deve ser
deixado... nem mesmo uma gota. E depois seja capaz de
abandoná-lo e escolha algo que lhe dê prazer novamente...

IX

O homem é o único animal que sente tédio. 

Isto é um privilégio, isto faz parte da dignidade dos seres
humanos. 

Você já viu algum búfalo entediado, algum burro entediado?
Eles não ficam entediados! Tédio significa simplesmente que
a sua maneira de viver está errada; conseqüentemente, isso
pode se tornar um grande evento - a compreensão de que "eu
estou entediado e alguma coisa precisa ser feita, alguma
transformação se faz necessária". Portanto, não pense que a
sensação de tédio é ruim - é um bom sinal, é um bom começo,
um começo muito promissor. Mas não pare por aí. 

Por que nos sentimos entediados? Sentimo-nos entediados
porque temos vivido em padrões mortos, padrões que nos
foram dados pelos outros. Renuncie a esses padrões, saia
desses padrões! Comece a viver por si mesmo. 

Somente a pessoa autêntica não sente tédio; a pessoa falsa
necessariamente se sente entediada. O cristão estará
entediado, o jaina estará entediado, o comunista estará
entediado, porque eles estão dividindo suas vidas em duas
partes. Suas verdadeiras vidas permanecem reprimidas e eles
começam a simular uma vida irreal. É essa vida irreal que
cria o tédio. 

Se você está fazendo aquilo a que estava destinado, você
nunca ficará entediado.

X

Todo rio está constantemente se movendo para ser o oceano.
O problema é somente com aqueles que se tornaram represas,
fechadas, não abertas para fluir, esquecendo que este não é
o seu destino, isso é a morte. Ser uma represa é cometer
suicídio, pois não há mais crescimento, não há mais novos
espaços, novas experiências, novos céus - apenas a velha
represa, apodrecendo, tornando-se mais e mais enlameada. 

Ser um buscador significa abandonar esse estado estático e
se tornar um rio em mudança, movendo-se, fluindo. 

Não importa quando você atinge o oceano. O começo é o fim.
Toda a beleza está no começo, pois assim que você começa a
se mover, o final, o cair no oceano, está absolutamente
determinado. 

O começo estava em suas mãos; ele era sua liberdade, daí a
beleza do começo. 

Será imensamente extasiante cair no oceano, mais isso não
está em suas mãos. O que estava em suas mãos era o começo,
e você teve coragem; você pulou fora de uma situação
estática e morta para um ser vivente... vivo, cantando e
dançando. 

O que importa quando o oceano vem? 

O começo é suficiente, mais que suficiente, pois cair no
oceano acontecerá inevitavelmente.
 
XI

Um discípulo que estava praticando por algum tempo veio ver
Ikyu. 

Estava chovendo, e ao entrar, deixou seus sapatos e seu
guarda-chuva do lado de fora. Depois de apresentar seus
cumprimentos, Ikyu perguntou-lhe de que lado de seus
sapatos ele havia deixado o seu guarda-chuva.

Ora, que tipo de pergunta é essa? Você espera que mestres
perguntem sobre Deus, sobre Kundalini subindo, sobre
Chakras se abrindo... Mas Ikyu fez uma pergunta muito
comum. O que sapatos e guarda-chuva têm a ver com
espiritualidade?

Mas há algo de imenso valor nisso. O discípulo não podia se
lembrar - quem se importa com o lugar em que colocou seus
sapatos e de que lado colocou seu guarda-chuva? Mas isso
foi suficiente - o discípulo foi recusado. 

Ikyu disse: 

- Então vá e medite por mais sete anos.

- Sete anos! - disse o discipulo - Apenas por essa pequena
falha?

- Falhas não são pequenas ou grandes - disse Ikyu - , você
simplesmente ainda não está vivendo meditativamente.

Não faça distinção entre coisas, de que isso é trivial e
aquilo é muito, muito espiritual. Preste atenção, esteja
atento, e tudo se torna espiritual. Se você não prestar
atenção, não for cuidadoso, tudo se torna não-espiritual.

A espiritualidade é dada por você, é sua dádiva ao mundo.
Quando um mestre como Ikyu toca um guarda-chuva, o
guarda-chuva é tão divino quanto qualquer coisa possa ser.
A energia meditativa é alquímica; ela transforma o mais
baixo no mais elevado. Descasque uma laranja como se
estivesse conduzindo uma sinfonia, e você estará se
aproximando mais e mais. Quanto mais meditativo você se
torna, mais vê Deus em toda a parte. No topo supremo, tudo
é divino.

XII

Um homem permaneceu solteiro toda a sua vida porque ele
estava à procura de uma mulher perfeita. 

Quando ele tinha 70 anos de idade, alguém lhe perguntou:
"Você tem estado viajando e viajando, você tem estado
procurando. Você não conseguiu encontrar uma mulher
perfeita? Nem mesmo uma!?"

O velho ficou muito triste. Ele disse: "Sim, uma vez eu
encontrei uma; uma vez eu encontrei uma mulher perfeita".

O outro perguntou: "E aí, o que aconteceu? Por que você não
se casou?"

Ele ficou muito, muito triste. Ele disse: "O que fazer? Ela
estava procurando um homem perfeito."

Para fluir e crescer no amor não é preciso perfeição. O
amor nada tem a ver com o outro. Uma pessoa amorosa
simplesmente ama, exatamente como uma pessoa viva respira,
bebe, come e dorme. Exatamente como uma pessoa realmente
viva, uma pessoa amorosa ama. 

Você não diz: "A menos que exista ar perfeito, não poluído,
eu não vou respirar." Você continua respirando em todos os
lugares onde o ar é poluído, envenenado. Você não pode se
permitir não respirar simplesmente porque o ar não é como
deveria ser. 

Um homem vivo simplesmente ama. O amor é uma função
natural.

Não peça a perfeição, senão você não encontrará qualquer
amor fluindo em você. Pelo contrário, você se tornará muito
desamoroso. As pessoas que exigem perfeição são muito
desamorosas e neuróticas. Mesmo se elas puderem encontrar
um bem-amado ou um amante, elas exigirão perfeição - e o
amor é destruído por causa dessa exigência.

Lembre-se, nunca exija perfeição. Você não tem direito
algum de exigir qualquer coisa de alguém. 

Se alguém o ama, seja grato, mas não peça nada.

O Espelho Mágico que Elimina a Dúvida

 
 
        Lama Sönam Tsering é um meditador e professor da escola Nyingma do
        buddhismo tibetano.
        Nascido no norte do Tibet, ele foi para a Índia após a tomada comunista
        chinesa em sua terra natal, em 1959. Mais tarde, após imigrar para
        Boudhanath, Nepal, Lama Sönam estudou durante oito anos no Centro
        Nyingma para Estudo e Prática.
        Em seguida, ele foi aos Estados Unidos em 1983, a convite de Chagdud
        Tulku Rinpoche. Como o atual lama residente do Dechen Ling, o ramo do
        Chagdud Gonpa em Oregon, Lama Sönam freqüentemente viaja e ensina tanto
        a filosofia quanto as artes rituais em vários centros buddhistas na
        costa oeste dos Estados Unidos.
 
  A atitude com a qual nos aproximamos dos ensinamentos do Dharma determina seu
  significado e relevância para nós. A motivação correta para estudar o Dharma é
  muito diferente da motivação ordinária para perseguir interesses mundanos.
  O Caminho da Compaixão
  Há muitas maneiras de se praticar e muitos fatores diferentes que constituem
  uma prática de sucesso. Um dos mais importantes é a compaixão. O significado
  buddhista do termo "compaixão" é diferente do significado comum. A maioria das
  pessoas usa a palavra de um modo muito limitado para comunicar o sentido de
  sentir dó, ou pesar, por uma pessoa ou situação específicas. Esse tipo de
  compaixão existe em todo lugar no mundo. Todo ser a experimenta em algum grau.
  Isso não é para denegri-la, contudo. Os dez tipos de atividade virtuosa que
  resultam, por exemplo, em alcançar um nascimento humano são motivados por este
  tipo de compaixão limitada.
  Mas quando nossa meta é despertar para o estado búddhico, nossa compaixão deve
  ser muito maior do que a compaixão ordinária através da qual alcançamos um
  corpo humano. Mesmo animais ferozes como leões, tigres e leopardos têm um grau
  de compaixão por sua cria. Logo, ter esse tipo de compaixão não nos distingue,
  como praticantes, de outros seres sencientes. Todo ser senciente tem algum
  nível de compaixão rudimentar pelos outros.
  No contexto do Dharma, a verdadeira compaixão é completamente livre de
  preconceitos e tendências e é toda abrangente; é sentida universalmente por
  todos os seres sem exceção. Em última instância, é referida como vacuidade
  imbuída com o coração da compaixão, no sentido de que a realização da
  vacuidade e da compaixão toda abrangente, espontânea e desobstruída são
  virtualmente idênticas. Não podemos experienciar uma sem a outra. Num certo
  sentido, até que tenhamos verdadeiramente realizado a impermanência, a
  natureza fundamental da mente, não teremos realizado verdadeiramente a
  compaixão e portanto ela não será completamente autêntica ou desobstruída.
  Isso não significa que nesse ínterim não devamos tentar desenvolver esse tipo
  de compaixão. A questão é desenvolvê-la de uma maneira livre de preconceitos
  em relação a todos os seres, sem qualquer divisão arbitrária em nossas mentes.
  De maneira última, quando descobrimos a verdadeira natureza da mente,
  experimentaremos espontânea e plenamente aquela compaixão autêntica, e não
  apenas com nossos pais, com nossos filhos ou com aqueles de quem gostamos.
  Muitos dizem, "Eu consigo ter compaixão por todos os seres lá fora, mas não
  com a pessoa sentada aqui do meu lado". Mas ter compaixão por todos os seres
  significa todos os seres.
  É nesse vasto sentido que falamos de compaixão dentro do contexto do Dharma.
  Ter compaixão verdadeira requer uma diferenciação, ter uma perspectiva maior
  da situação na qual estamos exercendo a compaixão. Quando uma criança está
  brincando perto de um precipício, os pais precisam da diferenciação para ver
  além do mero fato de que a criança está brincando; eles precisam reconhecer
  que a criança está brincando perto de uma área perigosa e que deve ser
  removida dali. A criança, é claro, está absorvida na brincadeira e não tem
  essa visão mais ampla. Do mesmo modo, quando estamos desenvolvendo compaixão,
  precisamos estar cientes não apenas da situação imediata, mas também das
  causas que levaram àquela situação e os eventos futuros que podem resultar
  dela. Com essa perspectiva maior, podemos responder mais efetivamente. De
  outra maneira, se apenas vermos a situação imediata, tendemos a cair em
  compaixão ordinária.
  A motivação é um estado mental e a tradição buddhista dá total importância à
  mente. Por que ela é tão crucial? Porque a experiência dos fenômenos está
  enraizada na mente do indivíduo que a está experimentando. Podemos pensar na
  nossa mente como um campo que deve ser adequadamente preparado e lavrado para
  que uma safra possa ser plantada e crescer forte.
  Fazer prática espiritual é como plantar sementes num solo bem preparado e
  lavrado. Por assim dizer, quando nos empenhamos na prática, nossa mente deve
  estar bem preparada: muito límpida e clara, não agitada ou em tumulto devido a
  preocupações mundanas. Se o campo não está adequadamente preparado, as
  sementes não crescerão e não haverá uma boa colheita. Do mesmo modo, se não
  assentamos a fundação de uma mente bem preparada para a prática, então não
  importa o número de professores que tenhamos ou o número de instruções
  especiais que tenhamos recebido deles, as sementes não crescerão. Isso não é
  assim porque os professores ou os ensinamentos não tenham valor ou poder, mas
  porque não tomamos o tempo para preparar o solo: preparar nossa mente como um
  vaso que possa receber os ensinamentos.
  Cultivando a Receptividade aos Ensinamentos
  Nos Sutras e Tantras, há um número de discussões a respeito da maneira
  adequada para ouvir os ensinamentos do Dharma. Mas todos eles convergem para o
  fato de que, se ouvirmos com fé, visão pura, respeito e devoção pelo professor
  e pelos ensinamentos, se nosso foco for dirigido para o interior, no sentido
  de que contemplamos como aplicar os ensinamentos diretamente em nossa própria
  mente e emoções, então iremos naturalmente nos beneficiar.
  Por outro lado, se nos aproximarmos dos ensinamentos de uma forma analítica ou
  crítica, comparando o que o professor está dizendo com o que lemos num livro
  ou com o que outro professor tenha dito, ou se nos preocuparmos com qual
  tradição ou filosofia o professor está expondo, então estaremos tratando os
  ensinamentos como uma palestra de universidade. Estamos reduzindo-os ao nível
  de qualquer campo de conhecimento humano, como ciência ou arte. A questão
  sobre os campos ordinários de conhecimento é que não importa o quão velhos,
  veneráveis ou raros eles possam ser, não importa o quão importante eles sejam
  para o nosso bem estar físico, eles se aplicam apenas para essa vida, para
  esse período. Desde um tempo sem princípio, os seres através dos seis reinos
  têm desenvolvido campos de conhecimento, tradições e costumes. Não há nada
  particularmente extraordinário sobre isto: é apenas a forma como a existência
  cíclica se desdobra. Mas eles conseguem beneficiar os seres num sentido
  relativo.
  Eles não trazem benefício definitivo da maneira com que os ensinamentos do
  Dharma fazem, permitindo que os indivíduos escapem dos intermináveis ciclos de
  morte e renascimento que podemos chamar de samsara, o sofrimento da existência
  cíclica.
  Logo, ao invés de uma aproximação intelectual aos ensinamentos, tome as
  palavras de coração. Diz-se na tradição Sutra do buddhismo que, quando ouvimos
  os ensinamentos, deve-se evitar quatro idéias errôneas: pensar no lama como um
  veado almiscareiro, no Dharma como o almíscar, em si mesmo como um caçador e
  na prática árdua dos ensinamentos como atirar flechas ou usar armadilhas ou
  outras maneiras de matar o veado. Ao invés, deve-se empregar as quatro idéias
  corretas: pensar em si mesmo como uma pessoa doente, no Dharma como um
  remédio, no professor espiritual como um médico habilidoso e na prática árdua
  dos ensinamentos como a cura da doença.
  Na tradição Vajrayana, diz-se que ao ouvir os ensinamentos, deve-se visualizar
  a si mesmo como uma deidade, tal como Manjushri, o bodhisattva da sabedoria,
  de modo a desenvolver uma noção da situação na qual o ensinamento está tomando
  lugar. O ponto de vista dos cinco aspectos da excelência: o momento excelente,
  o professor excelente, o local excelente, a audiência excelente e o
  ensinamento excelente; desse modo, amadurece. A pessoa se beneficia da
  aproximação ao ensinamento dessa forma, com fé e visão pura.
  Conforme isso aumentar, as palavras do Dharma passarão a ter significado para
  nós. Não mais nos acharemos na mesma posição anterior, como uma pessoa leiga
  ouvindo um grupo de especialistas sem entender o seu campo de especialidade.
  Quando nos aproximamos dos ensinamentos de uma forma orientada pelo Dharma ao
  invés de com uma atitude mundana, eles terão mais impacto sobre nós.
  A Fé
  Muitas pessoas dizem ter dificuldade com a fé, que a fé parece requerer algum
  tipo de submissão ou depositar toda a confiança numa outra pessoa.
  Mas devemos considerar o assunto como um passo mais profundo, porque a questão
  da fé, em última instância, reduz-se à verdadeira natureza da nossa própria
  mente. Todos nós temos uma mente. Os ensinamentos buddhistas falam da essência
  da mente como tathagatagarbha, ou natureza búdica. O fato de que todos nós
  temos a essência significa que todos nós temos o potencial para nos tornarmos
  buddhas.
  Como praticantes, estamos desenvolvendo os meios para alcançar o estado
  búddhico nesta vida. Nosso obstáculo mais fundamental é que não acreditamos
  realmente que as qualidades perfeitas dos três kayas do estado búddhico são o
  solo básico do nosso ser, a verdadeira natureza de nossas mentes.
  Para usar uma analogia, há uma fé básica entre cultivadores de arroz de que se
  eles plantarem arroz, eles irão colher arroz. Isso pode soar prosaico, mas
  envolve, de fato, um senso de confiança. Eles sabem que no interstício eles
  terão que aguar, fertilizar, capinar e cultivar, mas eles estão confiantes de
  que se plantarem arroz irão colher arroz no final da estação.
  Do mesmo modo, uma vez que reconheçamos o potencial que é o solo básico do
  nosso ser, entramos num processo de revelá-lo. Temos uma confiança básica de
  que aquilo com o que começamos é aquilo com o qual iremos terminar, exceto de
  que no final isso será mais evidente para nós. Assim como o fazendeiro deve
  passar pelo processo de plantar arroz e então cultivá-lo, devemos praticar
  meditação. Devemos cultivar os diferentes níveis do caminho com o conhecimento
  de que iremos revelar a natureza inerente do nosso ser como ela é — a perfeita
  completude dos três kayas. Quando temos esse tipo de convicção, isso indica a
  fé nos ensinamentos, a fé no caminho e a fé na meta.
  Cultivar esse tipo de fé requer esforço. Quando o Buddha estava passando para
  o nirvana, suas últimas instruções para seus estudantes foram "Eu lhes mostrei
  o caminho da liberação. Sua própria liberação depende de seus próprios
  esforços." Talvez então, para aqueles que têm problema com a fé, é mais fácil
  pensar na mesma da perspectiva de nosso auto-esforço. O não reconhecimento de
  nosso despertar intrínseco nos impede de perceber diretamente essas qualidades
  inerentes. Ter convicção de que elas existem dentro de nós como nossa própria
  natureza verdadeira é o tipo de fé que precisamos desenvolver.
  O Significado de Buddha
  As pessoas que ouvem a palavra buddha automaticamente associam-na com o
  buddhismo, porque a tradição foi nomeada após a figura histórica do Buddha
  Shakyamuni, que a fundou. Mas ainda que seja um termo buddhista, não é isso
  que a palavra implica. Não se refere simplesmente a um indivíduo histórico
  cuja forma foi marcada com as trinta e duas marcas maiores e oitenta marcas
  menores da perfeição física, e que ensinou um grupo de ensinamentos que
  conhecemos como o Buddhadharma.
  O termo sânscrito buddha é traduzido para o tibetano como sang-gye. Sang
  significa a clarificação ou dissipação dos dois níveis de obscurecimentos e a
  padronização habitual baseada nesses obscurecimentos. O termo gye significa
  "desdobrar" ou "expandir", no sentido de que todas as qualidades positivas
  inerentes foram realizadas em toda a sua plenitude. Qualquer um que tiver
  clarificado seus obscurecimentos e hábitos padronizados, e que portanto tiver
  realizado o completo desdobrar de todas as qualidades positivas, é um Buddha,
  seja ele o Buddha Shakyamuni ou outra pessoa.
  Julgando os Outros
  Determinar a extensão à qual alguém revelou sua natureza búddhica é muito
  enganador porque não é algo que podemos verificar com nossos sentidos, assim
  como a mente ordinária não é algo que possamos perceber com nossos sentidos.
  Desde um tempo sem princípio, nosso fluxo mental passou por diversos
  renascimentos, mas nenhum jamais viu a mente. Tampouco podemos ver os três
  venenos do apego, aversão e ignorância que tomam conta da mente — vemos apenas
  os produtos ou sintomas. Portanto, é muito difícil avaliar outra pessoa a
  partir de nossa perspectiva limitada.
  Por exemplo, suponha que eu conheça apenas duas pessoas no mundo todo, digamos
  Pema e Karma. Alguém bateu em minha porta e eu disse, "Você é o Pema?", a
  pessoa respondeu "Não" e eu pensei comigo, "Então deve ser o Karma". A pessoa
  na porta poderia ter sido qualquer uma de um bilhão de pessoas, mas eu penso,
  na base de minha experiência limitada, que deve ser o Pema ou o Karma.
  Desta forma, temos a tendência de ver as coisas em preto e branco. Elas devem
  ser de um jeito ou de outro. Uma pessoa é completamente iluminada ou não é
  iluminada. Mas temos que perceber que há muito cinza no espectro.
  O perfeitamente desperto Buddha Shakyamuni disse, "Apenas eu, ou alguém como
  eu, pode realmente avaliar plenamente um indivíduo". Essa afirmação deve nos
  lembrar de que não sabemos tudo, de que nossas decisões e julgamentos
  instantâneos estão baseados em nossos preconceitos e tendências.
  Em um momento de sua vida, o grande Dudjom Lingpa do século XIX teve um sonho
  no qual uma dakini indicou a ele que treze dos seus estudantes alcançariam o
  corpo de arco-íris, a iluminação completa, durante a sua vida. Quando ele
  despertou ele decidiu perguntar a outro lama sobre a autenticidade do sonho.
  Agora, Dudjom Lingpa é honrado como ele deveria ter sido — ele era maltrapilho
  e pobre, parecendo um pouco como um mendigo conforme ele viajou pelo mundo.
  Quando ele foi ao lama e contou-lhe seu sonho, outra pessoa que também tinha
  vindo para ver o lama, caiu na risada e disse "Você terá treze estudantes
  desse porte? E o cachorro dormindo na esquina — quantos estudantes ele terá
  assim?" Por causa de Dudjom Lingpa ser como ele era, essa pessoa pensou que
  poderia fazer um julgamento rápido.
  Claramente, as qualidades de Dudjom Lingpa como um mestre realizado eram tão
  enormes que elas não precisam nem ser discutidas. Qualquer um que tenha tido
  acesso aos seus ensinamentos terma e tenha sido afortunado em praticá-los,
  está ciente da imensa benção que eles contém. E ainda assim, por causa da
  aparência de Dudjom Lingpa, essa outra pessoa sentiu que ele não passava de um
  vagabundo maltrapilho, incapaz de ter estudantes de alto nível.
  Mudando nossa Visão
  Alguns praticantes vêm ao Dharma com uma grande dose de ingenuidade, esperando
  que tudo seja maravilhoso. Quando eles começam a praticar, eles pensam "Ó, a
  comida é tão deliciosa e todo mundo é tão simpático e o sol está brilhando e é
  tão acalentador!" Mas não é isso que é a prática. Os eventos superficiais que
  estão tomando lugar no ambiente não são o coração da meditação.
  Os praticantes também podem ter sonhos que eles achem significativos ou ter
  uma sensação particular quando eles meditam que eles achem maravilhosa ou
  experimentem um tipo particular de felicidade ou tristeza que eles achem
  significativo. Mas essas coisas não são nada para se excitar; elas ocorrem o
  tempo todo mesmo. Tomá-las como um indicador de uma prática real é perder o
  fio da meada.
  Lembre-se, de novo, que nem sempre temos a visão perfeita do que está
  acontecendo. Nosso conhecimento é limitado. Se perguntássemos para qualquer
  ser humano qual é o propósito do sol, esta pessoa responderia que é uma fonte
  de iluminação e calor. Mas se perguntássemos a uma coruja qualquer no planeta
  a mesma questão, tal coruja responderia "Ele torna tudo difícil de enxergar".
  Os humanos pensam estar certos; as corujas pensam estar certas. A questão aqui
  é que diferentes seres têm diferentes visões da realidade, nenhuma das quais é
  a verdadeira natureza da realidade.
  Pode haver certos aspectos do ensinamento que novos estudantes não absorvem de
  coração. Por exemplo, os ensinamentos dizem que todos os fenômenos são como um
  sonho ou ilusão. Quando acordamos do sono, o sonho que estávamos tendo cessa
  em ser nossa realidade, ele cessa em existir. Do mesmo modo, quando morremos e
  nossas percepções do mundo entram em colapso, por todas intenções e propósitos
  o mundo como conhecemos cessa em existir. Igualmente, os eventos de nossas
  vidas estão constantemente mudando e se transformando; nunca são confiáveis ou
  previsíveis, assim é o sonho ou a ilusão.
  Quando alguns praticantes ouvem isso, eles pensam, "Ó, essa é apenas uma noção
  buddhista. Talvez mais tarde — quando eu tenha meditado um pouco — eu verei
  desse jeito, mas não exatamente agora". Seguindo essa linha de pensamento, ao
  invés de examinar realmente o que está sendo dito, obstáculos ao
  prosseguimento da meditação estão sendo criados inconscientemente.
  Precisamos abraçar esse ensinamento plenamente. Podemos captar, verbal ou
  intelectualmente, que tudo é como um sonho, mas quando algo muito pessoal
  surge, repetidamente lhe assinalamos grande importância, completamente
  esquecendo sua natureza ilusória. Dizemos, "Tudo bem, a vida é como um sonho —
  mas quando estou doente ou faminto, ou quando quero algo, isso não é apenas um
  sonho, é real". Simplesmente reforçamos nossos padrões habituais.
  A meditação é feita para nos levar à experiência da verdadeira natureza da
  mente. Mas se tudo o que fizermos for reforçar nossos padrões habituais, não
  teremos esta experiência. Deve haver uma mudança maior em nossa visão, não
  apenas uma mudança em padrões específicos. Não é apenas uma questão de mudar
  nossos padrões habituais por "padrões habituais buddhistas". O que estamos
  fazendo é mudar toda a nossa experiência da realidade. Não estamos apenas
  tomando as armadilhas do buddhismo, não estamos apenas tagarelando os
  ensinamentos — estamos realmente aplicando uma consciência lúcida à nossa
  experiência.
  Indo Além dos Sentidos
  O Buddha afirmou que os cinco sentidos não são padrões autênticos pelos quais
  possamos medir nossa experiência da realidade. De fato, longe de nos prover
  com uma visão precisa da realidade, nossos sentidos a obscurecem. Embora a
  verdadeira natureza da mente, a sabedoria primordial, esteja além do
  nascimento, morte, doença e degeneração, a qualidade obscurecedora dos
  sentidos nos leva a experienciar a nós mesmos e ao mundo à nossa volta de uma
  maneira ordinária, comum e rotineira.
  Tendemos a tentar fazer nossos sentidos ordinários validarem a verdade dos
  ensinamentos. Vemos uma bela mulher e dizemos, "Ah! Aí vai uma dakini!", ou
  podemos beber até nos intoxicarmos e dizermos, "Sim! Esse é o néctar amrita do
  estado desperto primordial!" Estaremos confiando em nossos cinco sentidos para
  validar algo que eles não conseguem, porque a dakini e a amrita do despertar
  primordial são a verdadeira natureza das nossas mentes — não objetos externos.
  Nos prendemos na dualidade de nos agarrarmos a objetos externos a nós mesmos,
  e de nos agarrarmos um sujeito interno ou "eu" como o agente que experimenta
  estes objetos. Colocamos toda a nossa confiança nas coisas que percebemos como
  sendo externas a nós. Buscamos felicidade nelas e colocamos a culpa de nossa
  tristeza nelas. Estamos nos apoiando na experiência externa, que está sujeita
  à degeneração e à mudança, ao invés de nos apoiarmos na verdadeira natureza
  desta experiência.
  Tomemos o corpo físico, por exemplo. É nossa companhia por toda a vida;
  pensamos nele como muito confiável. Mas o corpo tem apenas um período de vida
  limitado. Em certo ponto, ele se quebra e finalmente cessa em existir. Não é
  nada mais do que um produto da padronização de nossa mente, não é algo
  existente por si só e independente, ainda que persistamos em tratá-lo como
  algo substancial e insistamos em investi-lo com todos os tipos de esperança,
  medo, alegria e sofrimento. É essa tendência — de relacionar manifestações de
  padronização habitual, como o corpo, a algum tipo de realidade última — que
  precisamos sobrepujar.
  O que percebemos através de nossos sentidos não deve ser aquilo pelo qual
  definimos que iremos ou não acreditar ou aceitar. O que podemos perceber
  através de nossos cinco sentidos é extremamente limitado. Nossos dois olhos
  não começaram a ver a imensa variedade de formas que poderiam ser vistas.
  Ainda assim pensamos que, se não tivermos visto algo, esse algo não existe ou
  não pode existir. Nossos ouvidos nem começaram a ouvir o vasto espectro de
  sons possível. Ainda assim, se não tivermos ouvido algo, não acreditamos que
  esse algo possa existir. Precisamos ter o reforço dos nossos sentidos antes
  que aceitemos a existência real de algo. Mas quando pensamos sobre isso,
  percebemos que o que experimentamos através de nossos sentidos é mínimo
  comparado com a variedade inconcebível de experiências possíveis, mesmo num
  nível convencional.
  O ponto chave aqui é que não podemos confiar em nossos sentidos para nos dizer
  o que é ou o que não é a verdadeira natureza da realidade, porque eles são
  incapazes de percebê-la. Se não realizarmos isso quando vamos ao Dharma — se
  formos muito materialistas em nossa aproximação — nossa prática será muito
  trabalho mundano, mas não nos levará aonde ela foi feita para chegar. Há
  pessoas que praticam a visualização de deidades e acabam conjurando demônios,
  porque eles estão convencidos em algum grau que nada existe além do que os
  seus cinco sentidos lhes informam sobre o mundo. Como Jetsun Milarepa disse "O
  que chamamos de ‘muitos demônios’ são conceitos. O que chamamos de ‘demônio
  jovial’ é o apego ao eu. O que chamamos de ‘demônio envelhecido’ é o
  pensamento discursivo. Se cortarmos através desses demônios, isso é
  verdadeiramente atravessar, transcender".
  Nós, de algum modo esperamos que os três kayas, as deidades e assim por
  diante, serão revelados para nós de uma maneira comum, através de nossos
  sentidos. Mas devemos praticar a visualização de deidades não na base das
  aparências, mas na base da mente. Isso é assim porque a natureza verdadeira da
  mente, a qual é não nascida e por isso impossível de morrer e imune à cessação
  e degeneração, não é diferente da natureza da deidade.
  Se insistirmos que a deidade está fora de nós e que temos de fazer a
  visualização ocorrer, estamos perdendo o fio da meada. Podemos ter a
  capacidade alucinar algo, mas, por isso estar atado com nossos cinco sentidos,
  irá desaparecer quando morrermos e nossos padrões habituais entrarem em
  colapso.
  Se não superarmos esse tipo de padronização profundamente arraigada, corremos
  o risco de termos apenas uma compreensão superficial de, por exemplo,
  vacuidade. Ao invés de realizar que a natureza última do ser é resplandecente
  com uma riqueza inconcebível de qualidades positivas, acabaremos pensando nela
  como algum tipo de estado inerte e vazio ou confundindo-a com o kunzhi, o
  nível fundamental de consciência que é o solo de toda experiência. Se não
  realizarmos que o quê deveríamos estar fazendo através da prática é mudar
  completamente nossa visão, simplesmente daremos a ela uma nova configuração,
  adotando alguma coisa nova ali ou aqui. O que precisamos é uma mudança
  arrebatadora em nossas mentes, que culmina na percepção direta da natureza
  fundamental da realidade. Se não aceitarmos que a nossa maneira ordinária de
  ver as coisas tem de mudar completamente através da prática, gastaremos um
  bocado de tempo e esforço para pouco resultado.
  O grande Shantideva da tradição indiana do buddhismo escreveu que, se
  quisermos proteger as solas de nossos pés de espinhos e bolhas, não tentaremos
  cobrir toda a terra com couro — o que é caro e difícil — apenas calçamos
  sapatos de couro. Do mesmo modo, podemos insistir em mudar a realidade
  fenomênica para servir às nossas necessidades ou podemos mudar nossa visão da
  realidade fenomênica. A última opção é bem mais eficaz e consome menos tempo.
  O nível mais sublime da prática de visualização do estágio de desenvolvimento
  é o que é chamado migpa medpa em tibetano: a mente simplesmente caindo na sua
  própria natureza verdadeira, sem nenhuma elaboração conceitual. Não tem nada a
  ver com fenômenos visuais ordinários (ou qualquer outro sentido). Mesmo se os
  detalhes da nossa visualização não estiverem absolutamente corretos, quanto
  mais praticarmos na base da verdadeira natureza da mente, com fé e visão pura,
  então nossa prática será eficaz. Mas se tentarmos ter uma alucinação da
  deidade com nossos globos oculares ordinários, não teremos sucesso, porque
  nossos olhos ordinários não podem ver o estado desperto primordial, eles podem
  apenas perpetuar os padrões habituais do samsara. Apenas o olho do despertar
  primordial pode ver o estado desperto primordial.
  A Transformação Interior e o Lama
  Não podemos forçar uma transformação relativa à nossa visão do mundo. Não é
  algo que consigamos nos colocar ou colocar outra pessoa. Não podemos comprar
  uma nova visão, não importa quanto dinheiro seja mantido numa conta de um
  banco suíço. Precisamos passar por uma transformação interior fazendo a
  prática e tomando os ensinamentos do lama no coração. Se o lama diz que tudo é
  impermanente, é importante não aceitar isso com fé cega. Olhe ao redor e
  verifique se as coisas são realmente impermanentes.
  Se o lama diz que tudo é como um sonho ou uma ilusão, devemos examinar se é ou
  se não é. O lama pode repetir esses ensinamentos uma vez atrás da outra, mas é
  da nossa conta os examinarmos, sob a luz de nossa própria experiência, e
  aplicá-los a nossa própria mente.
  Em última instância, descobriremos que o que o lama diz sobre a impermanência
  e a qualidade onírica da existência é verdade, porque o lama é alguém que
  passou por esse processo de verificação e exame, realizou a verdade dos
  ensinamentos e pode transmiti-la. É importante trabalhar com um professor que
  realizou o que ele ou ela está descrevendo. De outro modo, poderíamos pegar
  tudo dos livros e o lama e a linhagem não iriam sequer ter importância. Mas
  eles têm uma grande importância. No processo da verificação e transformação
  interna, é crucial ter um professor com uma linhagem autêntica.
  Havia um indivíduo altamente cético chamado Devadatta, primo de Buddha e seu
  aluno por muitos anos. Ao final de seus estudos, Devadatta ainda era tão
  cínico que, quando as pessoas perguntavam a ele sobre o Buddha, ele dizia,
  "Ele é igualzinho a mim. Ele tem uma aura enorme, mas, fora isso, ele é o
  mesmo que eu". Do outro lado, havia um monge muito ignorante que foi
  solicitado para dar ensinamentos para um grupo de pessoas, entre as quais o
  rei da região. O monge estava tão nervoso que tudo que ele conseguia pensar em
  dizer era "Meu Deus, é tão doloroso ser tão ignorante!" O rei levou isso no
  coração e descobriu que a raiz de todo o sofrimento é a ignorância. Ao receber
  esse ensinamento do monge com uma atitude de respeito e diligência,
  aplicando-o à própria mente, ele se tornou um arhat.
  Essa vida é muito curta. É importante que, enquanto estivermos vivos,
  desenvolvamos uma prática espiritual na qual possamos confiar quando
  morrermos. Há uma tendência nesses dias em se tornar muito ecumênico, praticar
  um pouco disso e daquilo, misturar elementos do judaísmo, cristianismo,
  hinduísmo, buddhismo e islamismo todos juntos e alcançar uma aproximação não
  sectária da espiritualidade. Mas isso não funciona. Ao invés de lograr os
  benefícios de todas as tradições, a pessoa acaba pegando todos os problemas.
  Eventualmente, cada tradição sofre, perdendo sua integridade, não mais
  permanecendo autêntica. A pessoa fica como um artista misturando tintas na
  paleta, aumentando em entusiasmo de tal maneira que tudo fica mexido junto com
  mistura cor de lama sendo o resultado final. Finalmente, nada que permanece na
  paleta tem algum uso.
  É bem melhor ficar com uma tradição e praticando, entender que todos os
  buddhas e bodhisattvas, todas deidades e todos caminhos estão subentendidos
  naquela prática. Isso é ser verdadeiramente ecumênico — ter respeito por
  outras tradições, mas decidir-se por uma e segui-la até a sua conclusão.
  É importante que nos foquemos na nossa prática ao invés de perder tempo
  caçando isso ou aquilo. De outro modo, chegaremos ao final dessa vida de
  coração partido porque perdemos a oportunidade que estava presente. Agora
  temos tudo que precisamos em abundância. Temos nosso corpo humano e nossas
  faculdades, para que possamos ouvir e entender os ensinamentos. Temos lamas
  para nos ensinar. Temos todos os oito estados de lazer e os dez estados de
  oportunidade que são parte de nossa preciosa existência humana. Temos a base
  ideal de trabalho para a prática do Dharma. É decididamente crucial que tal
  oportunidade não seja desperdiçada.
  Para fechar, irei transcrever um texto de Patrul Rinpoche: "Sendo que os
  objetos de conhecimento são tão numerosos quanto os planetas e estrelas,
  quando se está aprendendo não há fim em sua extensão. Agora, seria melhor
  manter um foco firme, imutável: o significado da essência, o Dharmakaya."
  (Esse livreto foi produzido de uma transcrição de um ensinamento dado por Lama
  Sönam Tsering e traduzido por Richard Barron em Rigdzin Gatsal, Williams,
  Oregon, em Agosto de 1990.)