O Homem Simples

O Homem Simples

 

Por João Coutinho

 

A linguagem do mundo antecede a leitura da palavra. O simples revela  linguagens mágicas, matemática e filosófica e nem sempre entendida e interpretada da melhor maneira. A natureza fala conosco, a leitura do mundo, e quando damos as costas e não escutamos o som da palavra, analfabetos e iletrados da vida que somos, encontramos a destruição, a desolação e o sofrimento.

Mas como podemos transformar algo ou alguém se, primeiramente não é fácil permitir a transformação de nós mesmos? Será então que estamos condenados a viver numa eterna vida de explicações, murmurando algo em sinal de lamentação ao Deus em conformação aos atos e atitudes que acreditamos ser o ideal? Bem aventurados sejam os céticos que não precisam culpar e nem rogar a seres divinos pela própria incompetência e bem aventurados sejam os crentes, pois tenta buscar um consolo, uma força que reúne as mentes de bom coração para confortar e elevar para, quem sabe, algo mais que ofereça um alivio ao espírito humano pelos fracassos.

A vida conta à história de homens simples como Buda, Cristo, Zoroastro e Confúcio que por um ponto de vista pedagógico fracassaram. Tomamos um exemplo, a história de Jesus, independente da crença de sua existência, Jesus aparece como um Mestre de doze alunos escolhidos por ele que os ensinava em período integral em torno de três anos, formando-os em doutores da Lei e do amor, diferentemente que um mestre e um professor comporta hoje, e pior, os alunos de hoje não são escolhidos por estes professores e das quais muitos deles nem sabem o que estão fazendo ali. Dos doze alunos de Jesus, um foi reprovado e, os outros onze, ficaram em recuperação, pois fugiram e nem reconheceram seus ensinamentos quando perguntados.

O Mestre Jesus teve que voltar novamente para ensinar algo mais. Destes onze, alguns não seguiram seus ensinamentos e voltaram a vidinha normal que possuíam, outros timidamente falavam do que aprenderam para uma pequena comunidade, entrando logo para o esquecimento, enquanto poucos continuaram com seus ensinamentos, mas não foram reconhecidos e chamados de apócrifos. Apareceu um outro aluno que mesmo cego e quase morto foi ensinado por poucos dias e logo foi declarado o substituto do aluno reprovado.

Do ponto de vista pedagógico, o homem que a história chama de Jesus fracassou com seus alunos. Seus ensinamentos não foram totalmente absorvidos e mais tarde deturpados por interesses escusos. Este homem simples como tantos outros mestres da humanidade, independente do julgamento de qualquer crença, só queria ensinar o simples, a universalidade das línguas através da compreensão da natureza e do amor.

Mas nem sempre as histórias de sofrimentos trouxe uma lição de amor e humildade, em certos casos, o sofrimento foi subjugado pelo ódio e transformou homens em animais. A animália, onde transforma o homem no mais escroto dos animais persiste e direciona a inveja e ao egoísmo como uma espécie de anomalia e que faz a leitura da avareza e da discórdia um meio subsistente. Infelizmente onde o Deus reina o Demônio persiste. É como se quisesse separar a luz das trevas e as trevas da luz, tolas são as pessoas que acreditam que o mal depende apenas do ponto de vista, isso não quer dizer que este tipo de mal não exista, pelo ao contrário, é comum em nossa vida, porém através dele outros tipos de conceitos do mal ficam presentes.

Um exemplo de que o mal no sentido ontológico pode transformar em um mal de proporções bíblicas pode-se apontar o Tsunami provocado por um terremoto de magnitude 9.0, próximo à ilha de Sumatra, na Indonésia, movimentando as placas tectônicas abaixo do oceano Índico levando a uma oscilação do eixo da terra e encurtando os dias por frações de segundo. Os terremotos são comuns na Indonésia, também são coisas naturais e a natureza não se importa com que está ao seu redor, com que pensa ou acredita, ela simplesmente fala e age de acordo a linguagem do mundo, levando a devastação, morte e desolação.

Quando olhamos a natureza, vislumbramos tudo o que ela traz de bom, e numa visão poética filosofamos o que isso representa através da leitura da palavra e da arte, procurando decifrar seus enigmas e seu dialeto. E mesmo observando e aprendendo o papel do homem em frente à natureza não é nada agradável. Continuamos a provoca-la como um bando de analfabetos e ignorantes que somente enxerga o seu próprio umbigo.

Mesmo sendo seres transformadores achamos difícil nos tornarmos em um homem simples. E o que seria um homem simples? Um homem humilde? Pobre? Não complicado? Na verdade os conceitos de simplicidade estão intrínsecos em um mar de ignorância e em complicadas crenças do que seja a verdade.

Porém se o simples significar harmonia, coragem, amor incondicional, respeito, tolerância e paciência, então o simples não é tão fácil assim. Exige o poder e a vontade de transformar-se, dentro de uma individualidade e em meio a uma coletividade. O que é simples é harmônico e vivo e encanta com a sua magnitude.

Os mestres da humanidade eram homens simples e os transformamos em heróis difíceis de imitar. Colocamos-os em um altar impossível de almejar e designamos a estes mestres uma adoração digna de um Deus, esquecendo completamente que eram homens simples. Estes super-homens que idealizamos passaram a ser um exemplo que a leitura da palavra prefere exibir como troféu, fazendo com que muitos aceitem a palavra como a única verdade. Felizmente a humildade e o amor procedem do homem simples e é uma das formas como a linguagem do mundo se comunica

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